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História

Charlotte's Web: a História de Charlotte Figi e do CBD Medicinal

A história da Charlotte's Web: Charlotte Figi, os irmãos Stanley e o documentário Weed, de Sanjay Gupta, que popularizou o CBD medicinal no mundo.

Equipe Canni

28 de junho de 2026 · 4 min de leitura

Capa do artigo: Charlotte's Web: a História de Charlotte Figi e do CBD Medicinal

A menina que deu nome à strain

Poucas histórias mudaram a percepção sobre a cannabis como a de Charlotte Figi. Nascida em 18 de outubro de 2006, no Colorado (EUA), ao lado de uma irmã gêmea, Charlotte teve sua primeira convulsão aos três meses de vida. O diagnóstico viria depois: síndrome de Dravet, uma forma rara, grave e resistente a medicamentos de epilepsia que se manifesta ainda na infância.

A doença avançou de forma devastadora. Aos cinco anos, Charlotte chegava a ter cerca de 300 convulsões por semana, usava cadeira de rodas e tinha grande dificuldade para falar. A família tentou de tudo — vários medicamentos, dietas especiais, tratamentos experimentais — sem sucesso. Foi então que sua mãe, Paige Figi, passou a procurar uma alternativa pouco convencional: um óleo de cannabis rico em CBD e pobre em THC.

A strain “decepção do hippie”

A variedade que Charlotte começou a usar em 2012 era tão baixa em THC que tinha pouco valor para o consumidor recreativo — a ponto de ser apelidada, no início, de “Hippie’s Disappointment” (“decepção do hippie”). Ela havia sido desenvolvida por seis irmãos cultivadores do Colorado, os irmãos Stanley (Joel, Jesse, Jon, Jordan, Jared e Josh), que cruzaram cannabis com cânhamo industrial para obter uma planta com altíssimo teor de CBD e quase nenhum efeito psicoativo.

O resultado foi extraordinário: segundo a família e os médicos de Charlotte, as convulsões despencaram de cerca de 300 por semana para apenas duas ou três por mês. Em homenagem à menina, a strain foi rebatizada de Charlotte’s Web (“A Teia de Charlotte”).

O documentário Weed e a virada de Sanjay Gupta

A história ganhou o mundo em 11 de agosto de 2013, quando a CNN exibiu o documentário “Weed”, apresentado pelo médico e jornalista Dr. Sanjay Gupta. Até então cético, Gupta reviu publicamente sua posição sobre a cannabis medicinal depois de conhecer Charlotte e ver sua resposta ao tratamento. O impacto foi imediato: quase da noite para o dia, a Charlotte’s Web virou um nome conhecido e o conceito de CBD — a “cannabis sem o barato” — entrou no debate público.

O documentário teve continuações (“Weed 2”, em 2014, e vários outros capítulos ao longo dos anos), e a história de Charlotte ainda apareceu em programas como The Doctors, The View e 60 Minutes. Para o público brasileiro das associações e do uso medicinal, o caso é uma referência fundamental sobre o potencial terapêutico do CBD.

O legado de Charlotte

O caso de Charlotte impulsionou mudanças concretas. Famílias do mundo todo passaram a buscar acesso ao CBD para epilepsia e outras condições, e a repercussão ajudou a pavimentar avanços legais, como a Farm Bill de 2018 nos EUA, que legalizou o CBD derivado do cânhamo. Os irmãos Stanley e a família Figi fundaram ainda a organização sem fins lucrativos Realm of Caring, voltada a educação, pesquisa e apoio a pacientes.

Charlotte Figi faleceu em 7 de abril de 2020, aos 13 anos, após uma pneumonia que trouxe de volta as convulsões. Sua memória, porém, permanece: o estado do Colorado chegou a instituir um “Charlotte Figi Day”, e seu nome segue ligado a uma das histórias mais importantes da cannabis medicinal.

A strain hoje

A Charlotte’s Web é uma variedade medicinal (rica em CBD, com THC abaixo de 1%), sem efeito psicoativo relevante — pensada para aliviar sintomas com a mente totalmente lúcida. É uma das referências entre as strains medicinais e de uso diurno. Quem busca o perfil rico em CBD pode conhecer também outras opções consagradas:

Vale uma ressalva importante: cada organismo responde de um jeito, e a história de Charlotte, embora marcante, não substitui acompanhamento médico. O CBD não é uma cura universal, e tratamentos para epilepsia e outras condições devem sempre ser conduzidos por profissionais de saúde.

Perguntas frequentes

Quem foi Charlotte Figi?
Uma menina do Colorado (2006–2020) com síndrome de Dravet, forma grave de epilepsia. Sua resposta ao óleo rico em CBD — de ~300 convulsões por semana para poucas por mês, segundo a família e os médicos — deu nome à strain e mudou o debate mundial sobre cannabis medicinal.
A Charlotte's Web dá "barato"?
Não. É uma variedade rica em CBD com THC abaixo de 1% — sem efeito psicoativo relevante. Foi criada justamente para aliviar sintomas com a mente lúcida.
Quem criou a Charlotte's Web?
Os irmãos Stanley, seis cultivadores do Colorado, cruzando cannabis com cânhamo industrial para maximizar o CBD. A strain chegou a ser apelidada de "Hippie's Disappointment" antes de ser rebatizada.
CBD cura epilepsia?
Não é cura. Há evidência de benefício em síndromes específicas (caso do canabidiol farmacêutico aprovado para Dravet), mas cada organismo responde de um jeito — tratamento de epilepsia exige acompanhamento médico.

Conclusão

Mais do que uma planta, a Charlotte’s Web é o símbolo de uma virada cultural — o momento em que o mundo passou a enxergar a cannabis também como medicina. Conheça o perfil completo dela e de outras variedades ricas em CBD no catálogo de strains.

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